segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O raio

Há coisas que acontecem na nossa vida que por mais que procuremos não acreditar, nos remetem a frase famosa: ‘Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay’. E o que acontece comigo e os cães que já tive, ou tenho, é muito estranho.
Há tempos atrás um cão da raça Fila Brasileira, macho, faleceu nos meus braços em circunstâncias estranhas e num momento em que eu estava passando dificuldades e me ficou clara a impressão que o ‘raio’ era destinado a mim, mas atingiu o meu cão amigo.
Em outra oportunidade faleceu minha cadela Rottweiler, em minha residência, quando eu lá não estava, talvez para me avisar que determinadas situações, e quais locais, eu deveria evitar. Até penso que ela me sugeriu melhorar a segurança da casa, o que fiz depois de sua morte.
Este fim de semana, depois de uma semana bastante produtiva e agradável, com poucos percalços, aconteceu outro incidente que me intriga até esta hora de domingo, às 23:47. O fim de semana tinha tudo para ser, cem por cento legal e só não foi (diria 95% próximo do ótimo) por causa da contusão do meu cão protetor da casa da raça Rottweiler macho de seis anos.
Começou no sábado quando minha mulher avisou que um lagarto (alguns denominam ‘calango’) muito comum na região de praia onde resido ‘adentrou' em nossa casa pela área de serviço. Após algumas tentativas de pegá-lo, chamei o cão Arnold Schwarzeneger para entrar em casa. Detalhe: ele não está acostumado a entrar em casa, pois fica apenas na soleira, deitado (tenho fotos da posição que ele costuma ficar). Mas como ele me obedece sempre quando o chamo, ele ‘cumpre o seu dever’. Entrou e rapidamente capturou o bicho pela boca e o levou para fora de casa.
Eu tive que levar minha mulher até outro ponto da cidade e retornei a casa. Ao retornar encontrei-o dentro de um espaço de jardim que temos em casa e ele sabe que não gosto que ele lá entre e estrague minhas plantas. Mas ele estava à caça de algum animal. Penso agora que eu o incentivei à caça ou o bicho fugiu para aquela região do nosso terreno. O bicho apareceu morto logo em seguida.
Porém, para sair desse lugar das plantas, há uma mureta de tijolos que coloquei exatamente para evitar que eles (os cães) lá entrem. O que sei é que logo depois, o Arnold apresentou uma contusão na perna traseira direita. A primeira aparência é que não havia nada quebrado. Talvez uma luxação, pancada ou distensão. Mas ele mancava e isso passou a me preocupar, pois o animal cão da raça Rottweiler é muito forte, com estrutura óssea muito resistente. Como não se consegue veterinário no fim de semana, passei o sábado e o domingo preocupado, e observando-o.
Ele, como todo cão ao se adoentar, diminui o ritmo, de modo a se recuperar logo (os seres humanos deveriam copiar essa atitude). Comeu bem, com apetite a carne, o ovo e o leite que dei; sinal de não estar muito doente.
Mas o que mais preocupa não é a contusão, provavelmente ele se recuperará bem dela. O que me preocupa é se não seria também um sinal de que o ‘raio’ estava mirado para mim e acertou meu cão? E que ‘raio’ seria esse? O da inveja? Pela felicidade demonstrada claramente por mim durante a semana, tanto sabe do fato quem teve contato comigo, mas também o teve pelas redes sociais. A semana havia começado bem com um belo almoço com amigos no domingo e se estendeu em bons contatos (de trabalho) que fiz.
Várias vezes eu já me perguntei sobre isso, conversando com Deus. Por que a felicidade vem em retalhos que construímos como uma colcha de cama? E sempre entrecortada por momentos de apreensão? Seria para nos colocar na nossa própria condição de humanos? De falhos? Seria o cão um protetor ou um ‘para raios’ para esses olhares de inveja?
Sei que talvez não seja cristão afirmar, mas se existe a ‘besta’ existe o mal, não? Em minha opinião a inveja (‘e o mau olhado’) nem sempre se manifesta através de pessoas próximas a você. No meu entendimento ela pode acontecer (e seus efeitos) a longa distância.
Pode ser apenas ‘feeling’ mas pode ser algo que exista entre o céu e a terra e que sonha nossa vã filosofia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário