Nas entrevistas dos políticos durante as reportagens sobre as desgraças no RJ ouvimos todos eles afirmarem ser um erro permitir a construção de casas em áreas de risco, desmatando e agredindo o meio ambiente.
A pergunta que não quer calar é a seguinte: teriam vindo, esses senhores políticos, de algum outro planeta ou outro sistema solar? Foram abduzidos por anos e retornaram agora durante as chuvas? Onde eles estavam – sendo políticos antigos, vereadores, deputados, prefeitos e governadores? O que eles fizeram pela população mais carente? Onde eles criaram os empregos para essa gente humilde?
‘Pus-me então a considerar todas as opressões que se exercem debaixo do sol. Eis aqui as lágrimas dos oprimidos e não há ninguém para consolá-los. Seus opressores fazem-lhe violência e não há ninguém para consolá-los’ (Eclesiastes: 4,1).
Tenho absoluta certeza, que como eu passei, quando me desloquei de Friburgo para Teresópolis ano passado, e vi as favelas e as construções ao longo da estrada, desmatando e correndo riscos de vida, eles, os políticos também passaram. E o que fizeram? Nada.
Aliás, na região devastada de Teresópolis, na estrada que liga a Itaipava, há uma localidade denominada ‘quebra-frascos’. Por que essa denominação, que vem desde os tempos imperiais?
Peço a paciência de trazer à tona uma recordação pessoal. Volto a meu tempo de juventude na adorável cidade de Teresópolis, ao pé da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro. Em deliciosas férias com meus padrinhos e primos, curtíamos um friozinho bom (às vezes bem frio, me lembro de esquecer de levar pijamas de frio e à noite tive que dormir de roupa). Àquela época era menor de idade e não tomava vinho. Carnaval no Hotel Higino.
Nessa estrada existe um bairro de nome curioso, o ‘Quebra-Frascos’, de ar puríssimo, muito rico em Ozônio (O3), que dizem os fisiologistas, mata o bacilo de Koch, responsável pelo contágio da tuberculose. O lugar é enriquecido por densa mata de eucaliptos. Lá funcionava, e ainda funciona, uma clínica para doentes de pulmão e em suas imediações o cinqüentenário Hotel Pinheiros. Àquela época, a incidência da enfermidade era bem grande. Os doentes iam em busca de tratamento, alimentação adequada e repouso. Lá se tratavam e, quando voltavam para casa, curados, deixavam alegremente, pelo caminho bucólico, os frascos dos vidros dos remédios que lhes recuperaram a saúde, agora recuperada pelas alegrias serranas. Triste contraponto com as cenas de hoje em dia.
Em 1872, foi construída a primeira estrada de acesso a Teresópolis, ligando-a a Itaipava, distrito do Município de Petrópolis. Até então, o único modo possível para se chegar era por meio de tropas e liteiras, utilizando-se o caminho preparado por George March (ex-proprietário de toda a área). A abertura da estrada permitiu a chegada de outros estrangeiros que se instalaram na cidade e de famílias abastadas que mantinham na localidade suas casas de veraneio.
‘Aquele que ama o dinheiro nunca se fartará ...’ (Eclesiastes: 5:9)
A Terra na qual navegamos por esse espaço sideral é única. Até hoje não se descobriu outro planeta que abrigue o ser humano. Se ela se esgotar nós morremos. O Brasil é um país continental e existem espaços bem amplos, planos e longe de rios e de áreas de risco para construção de casas populares.
Mas onde irão trabalhar essas pessoas? Há que se criar empregos ao redor das residências, ou antes, há que se criar a fábrica, o escritório ou o pólo industrial e depois criar as residências.
Mesmo que seja necessário o deslocamento para os centros urbanos o transporte é obrigação fundamental das autoridades públicas (junto com saúde, educação e segurança).
Num decreto federal, reduz-se ou até se extingue o IPI, para incentivar um pólo industrial. Ah, esqueci, são os tributos que pagam os salários deles, recém aumentados em 60%, enquanto os pobres receberam aumento de R$ 30,00.
Na baixada de Duque de Caxias, antes de se subir para Petrópolis e Teresópolis, há uma área plana bem vasta para implantação de pólo industrial.
Citam os políticos Planejamento Estratégico (ultrapassado desde a década de 70), porque ‘consideram bonito o termo’. A Estratégia correta é estudar os cenários. E qual é o cenário da região serrana do RJ? Chuvas constantes. Encostas que não permitem construções. Os planos decorrentes dessa Estratégia, que deveria ser holística, devem abranger todas as áreas do conhecimento humano, sem demagogias e sem precipitações.
Tecnologia não significa sabedoria. Uma ‘lenda urbana’ com alguns tópicos de realidade citam que os americanos levaram anos e gastaram milhões (algumas versões bilhões) de dólares para descobrir uma caneta que escrevesse de ‘cabeça para baixo’ (sem gravidade e pressão atmosférica), dentro da nave, no espaço sideral. Os russos, simplesmente, usaram o lápis (desde o início das viagens).(1)
Onde existem mais árvores haverá mais ocorrência de chuvas. É obvio. Teresópolis tem ‘fog’ – neblina, há cinqüenta anos, desde que me conheço por gente. Em determinados períodos do ano, o sol se apresenta de 10 às 15:00 somente, e por isso é uma delícia passear por Teresópolis. Frio a 30 ou 40 minutos do RJ, que é muito quente em determinadas épocas do ano.
Na região de Campos no RJ (300 km da capital) existem milhares de hectares para implantação de pólos industriais. Áreas planas. No sul da Bahia idem, para não termos que ir ao Nordeste.
Política pública é escolher a(s) Estratégia(s) que atenda(m) a demanda futura, vislumbrando cenários de alteração do meio ambiente inclusive (não é o caso da região serrana, que chove há anos). Conhecer o crescimento populacional e ordenar esse crescimento para a felicidade de todos.
Senhores políticos, por favor, desçam das suas naves espaciais e olhem ao redor e ‘hands on’. Façam algo para que nós não passemos por mais décadas de desgraças.
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