Antes eu era cego agora enxergo tudo.
João, 9:25.
Acordei hoje e resolvi escrever sobre o tema, após ter lido em jornal do ES sobre preconceito contra casamentos entre pessoas diferentes: em idade, em etnia ou em crença religiosa. Ex-padres podem casar, claro.
Mas, antes, vou discorrer sobre alguns termos que são muito utilizados popularmente e assim posso estabelecer um referencial do que penso sobre esses termos. Sem nenhuma base científica ou preocupação etimológica, epistemológica ou morfológica.
Burrice para mim é quando repetimos ou insistimos no erro. Eu mesmo já cometi vários atos de burrice. Burro é a pessoa que, insistentemente, incide em erros. Nada a ver com o animal denominado ‘burro’, que só é teimoso, e não comete erros. Anta é outro animal que não comete muitas burrices e até apresenta sinais de inteligência, superiores a alguns seres humanos.
Ignorância, por outro lado, é quando ignoramos algo, por não sabermos, não termos estudado o assunto ou por afastamento do fato (como comunidades afastadas das civilizações).
Cometemos burrice quando, ao ignorarmos um tema, não quisermos aprende-lo ou por considerarmos que sabemos demais sobre o tema. Ninguém sabe sobre todos os temas ou assuntos e nem tudo sobre um tema específico. Ignorar de propósito é um ato de burrice. Auto-suficiência é um ato de burrice.
Ignorância para mim é diferente de violência. Violência é quando cometemos atos de brutalidade contra seres humanos ou contra animais. Animais não são violentos, apenas lutam por sobrevivência. É do instinto deles manterem-se vivos.
Chamar pessoas violentas de animais é praguejar contra os animais de verdade, que não merecem ser comparados a este tipo de gente. Os que se mostram violentos não são seres humanos e nem animais. Violentos e ‘bestas’ são os que matam filhos, pais e avós, por exemplo, com várias facadas. Eu não me imagino estapear outra pessoa várias vezes com o sentido normal, não sei se conseguiria, nem em estado abrupto de perda da razão. Pedófilos, estupradores, assassinos em série, assassinos cruéis são o espectro específico da brutalidade e da violência; e podem, e devem ser denominados ‘bestas’. Não confundir com ‘bestiais’ (termo usado em Portugal para os gênios).
Etnia para mim é a diferença entre povos da mesma raça humana a qual todos pertencemos. Povos como: romanos, godos, visigodos, saxões, índios e mouros. Hoje em dia entre europeus, africanos, asiáticos e sul ou norte-americanos. Não existe, para mim, a raça negra, branca ou asiática. Somos etnicamente diferentes dependendo da ascendência. E só cita raças diferentes, em minha opinião, se você não conhecer a história dos povos ou ignorar essa história de propósito para atender o seu propósito ou por má intenção. Desconhecer a história antiga da Europa, por exemplo, onde a mistura de etnias se fez presente claramente, é ignorância. Desconhecer a mistura e mixagem das Américas é ignorância étnica.
Anormais para mim são os seres humanos que apresentam um dom, uma inteligência (demonstrada por dons específicos) ou comportamento diferente dos outros, de nós os normais, são por mim denominados como gênios. Refiro-me a Curva de Gauss, os normais nos situamos dentro dos desvios padrões, dentro da normalidade. Os anormais se apresentam nas diversas modalidades e alguns exemplos: futebol (Pelé), música (Jobim, Mozart e Beethoven), na escrita (Machado de Assis, Eça de Queiroz, Fernando Pessoa e Antoine de Saint-Exupery), na pintura (Picasso, Portinari, Dali, Da Vinci, Manet e Monet), no comportamento (Madre Tereza de Calcutá, Ghandi e Martin Luther King), na ciência (Santos Dumont), na física (Kepler e Einstein) e filosofia (Sócrates, Platão, Voltaire e Kant).
Chamar os violentos de anormais é compará-los ao grupo acima. São anormais sim, mas na parte de baixo da Curva de Gauss. Mas são simplesmente ‘bestas’.
Fanatismo é a fixação de conceitos sem abertura para novos conhecimentos. Fanatismo pode ser religioso (o mais comum), mas também de idéias, como comunismo ou capitalismo, como ainda de conceitos sobre determinados assuntos: moda, estilo de vida ou gosto por comida ou bebida. Ao fanático não cabem a concorrência de idéias e de propósito.
Agora vamos discorrer sobre Preconceito. É quando emitimos parecer antecipado sem conhecermos o tema ou a pessoa. Eu mesmo apresento sinais de preconceito, quando se me apresentam pessoas com altos sinais de burrice ou alto grau de violência (preconceito porque faço questão em não conhecê-las). Não quero saber se são ‘sóciopatas’ ou ‘psicopatas’. Nem os próprios psicólogos sabem bem a diferença.
Tenho preconceito quando ouço alguém citar que: ‘não quero aprender’, ‘já sei sobre tudo’ ou ‘mulher tem que apanhar’. Tenho preconceito sim (porque não procuro me aprofundar em quem acredita nessa frase) quando ouço: ‘beleza é fundamental’, porque assimetria é o que marca o ser humano e não a perfeição simétrica (a se não fosse o sinalzinho da Marilyn Monroe!).
Preconceitos existem quando, sem conhecer as pessoas, se critica os homossexuais, quando se generaliza sobre etnia, tipo ‘determinado povo’ é burro (ou sujo), quando se rotulam pessoas pelo comportamento diferente dos demais como: roqueiros, ‘emos’ ou góticos.
Preconceitos existem quando se critica alguém por namorar (ou até casar com) pessoas bem mais jovens, quando se afirma que pessoas de idade avançada não podem fazer sexo, quando se afirma que pessoas parcialmente incapacitadas não possam realizar determinadas tarefas, quando não podemos mudar de ideia, etc.
Preconceitos existem quando definimos que, pessoas magras ou gordas são doentes e fora do padrão da normalidade, normalidade esta definida por limites (não padrões) meramente comerciais. Feio ou bonito é relativo, dependente do padrão cultural da localidade, da etnia ou da sociedade e mostramos preconceito quando julgamos a pessoa pela aparência.
Preconceito contra canhotos, sinistra em italiano. Destra de destreza.
Xenofobia é o preconceito contra estrangeiros, sem conhecê-los.
Não que dentro do grupo de homossexuais não possam existir pessoas que cometam burrices, que sejam violentas e até pessoas preconceituosas. Não que dentro do grupo de determinada etnia também se manifestem atos de violência e de brutalidade. Em todo grupamento e qualquer população existe o percentual de violentos, de preconceituosos e de ‘burros’. Creio que se fizermos um estudo científico sobre o tema o percentual não se alterará. É como corrupção, falta de ética e de carência moral, elas existem em todo grupo populacional, na mesma proporção.
O que precisa, e deve haver, é o respeito pelo próximo, seja ele ou ela do jeito que for. Burrice é não querer conhecer e conversar com alguém pela aparência, etnia ou nível econômico. É insistir nos erros de vários de nossos antepassados em todos os continentes. É insistir nos erros que estão sendo cometidos no presente.
Para encerrar, no momento este tema, convido a todos a pensar sobre perfeição. Como é ‘chata’ a perfeição! Tudo o que vemos é irreal. Só na mente o círculo é perfeito. Tudo o que vemos e sentimos é relativizado pela ótica do observador. Ao observarmos algo ou alguém próximo a nós, a forma do objeto e da pessoa se altera pela nossa presença. Ghandi celebrava sua própria incoerência. Posso mudar de ideia a cada segundo. Posso ver o mundo diferente a cada átimo. E que mundo? Se ele não é real!
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