Esse artigo é uma continuação do anterior e, portanto precisa ser colocado dentro do contexto do primeiro artigo sobre o tema.
Educação é o melhor investimento para o futuro. Mas, em um país onde os preços da mão-de-obra estejam distorcidos pode haver uma falsa impressão de que não há necessidade de se educar para melhorar o nível social e econômico.
Ser presidiário no Brasil é profissão. Recebe salário de R$ 862,11/dependente muito, muito maior que o mínimo (Portaria n° 568 de 31/12/2010). Talvez a última 'penada' do ex presidente. O pai trabalhador, cumpridor dos deveres de cidadão, não pode ter essa ‘ajuda’ de custo. Mas quem cometeu crimes, desrespeitando a sociedade a qual pertence, e que rasgou seus direitos civis, ainda ‘deixando a família a ver navios’ tem esse direito. A esposa e os filhos do presidiário têm mais direitos que a esposa do cidadão cumpridor dos deveres. Recebe mais que muitos professores primários. Recebe mais que bancário iniciante na Caixa Econômica Federal ou no Banco do Brasil. Recebe mais que empregada doméstica. Lembre-se que ele come, veste-se e dorme por nossa conta, e nada produz.
Ao mesmo tempo fazer uma ‘escova progressiva’ chega custar em alguns estabelecimentos, a quantia de R$ 300,00, por mais ou menos, duas horas de trabalho. Mais do que o salário/ hora de muito professor universitário. Mais do que uma consulta médica (do profissional que estudou – só no terceiro grau, cinco anos e mais a residência). Mais do que cobram os profissionais de consultoria a empresas, por hora de visita.
Realmente se assim pensarmos não adianta avançar na educação. Mas não, quem gosta de estudar não perde o fio! Luta até que o país reconheça o esforço de anos de estudo, de dedicação, de fins de semana sem ‘baladas’, de investimento financeiro e de tempo; além do envolvimento emocional (abrangendo toda a família).
Um dia como aconteceu em vários países como Coréia do Sul, Finlândia e Dinamarca, o reconhecimento virá, através, não só de prêmios escolares, mas também financeiros.
No ano passado, a OIT e a UNESCO haviam publicado o ranking mundial de salários de professores. O Brasil aparecia no antepenúltimo lugar. Perdemos apenas para o Peru e a Indonésia. O salário anual médio de um professor na Indonésia é US$ 1.624, no Peru US$ 4.752 e no Brasil, US$ 4.818, o equivalente a R$ 11 mil.
A OIT e a UNESCO dizem que o Brasil é um dos países com o maior número de alunos por classe. Segundo o estudo, existem mais de 29 alunos por professor no Brasil, enquanto na Dinamarca, por exemplo, a relação é de um para dez.
Fonte: rudaricci.blogspot.com (04 de outubro de 2009)
A explicação é simples. Quase todos os países que ocupam os primeiros lugares na avaliação da OCDE - Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (o relatório Education at a glance 2010), colocaram a educação como prioridade nacional. O Brasil se posicionou em 53° (dentre 65 países analisados).
A política e o entendimento dos países mais avançados em educação é que, para evoluir, há necessariamente que se aprimorar a qualidade da educação. E como melhorar a educação sem professores? Há que se atentar melhor para este profissional, não só melhorando seu perfil educacional como principalmente seu nível salarial. Estudos provam que melhorar salários é mais eficiente que reduzir turmas. A preocupação desses países, de alto desempenho, é que não se deva pagar menos aos professores em comparação com a média de salários de outros profissionais com diploma de ensino superior.
Exemplos não faltam, na Coréia do Sul os alunos analisados, tiveram a sorte de estudar na melhor escola do país que tem o melhor ensino básico do planeta. Lá todos os professores têm mestrado, são atualizados a cada dois anos e não permitem que o aluno passe um dia sequer sem entender a lição. Ganham o equivalente a R$ 10.500,00 por mês. Têm como fundamento da prática educativa, o entendimento de que se o aluno não aprende, o professor é que é reprovado. A Coréia do Sul tem, proporcionalmente, quase sete vezes mais pesquisadores do que o Brasil, segundo o Relatório UNESCO sobre Ciência 2010, documento divulgado em 10nov2010, em Brasília, pelo órgão das Nações Unidas para a Educação.
Na Finlândia creditam o êxito na Educação à sólida formação docente. Os professores têm valorização e prestígio social. Todos têm cinco anos de formação e a maioria tem mais um ano de mestrado. Recebem o equivalente a R$ 8.300,00 e têm treze semanas de férias ao ano.
A qualidade de um sistema educacional não pode ser maior que a qualidade de seu professor.
Além da melhoria nos salários dos professores um país, para crescer, precisa aumentar o percentual gasto (investimentos e despesas) em educação. O Brasil ainda investe só 1/5 do que os países desenvolvidos destinam ao setor (apesar de ter ampliado os gastos com o ensino fundamental na primeira década de 2000).
O levantamento cobre todos os ciclos de ensino e leva em conta a Educação pública e privada. Enquanto países como: Alemanha, Bélgica, França, Reino Unido, Áustria, Dinamarca, Noruega, Itália, Islândia, Estados Unidos e Japão investem, em média, US$ 94.589 por estudante durante todo o ciclo do ensino fundamental, no Brasil o gasto médio é de US$ 19.516 por aluno.
O resultado é claro: em matéria de formação e preparo, os estudantes brasileiros continuam muito longe dos estudantes dos países desenvolvidos!
Países como Dinamarca, Israel, Islândia e Estados Unidos, por exemplo, gastam, em todos os níveis de ensino, cerca de 6,2% do Produto Interno Bruto (PIB).
Países como a Rússia e a República Eslovaca gastam 4,5%.
O Brasil se encontra numa posição intermediária, destinando ao setor educacional 5,2% do PIB.
Contrariamente ao que muitos falam no Brasil, o estudo também mostra que, entre os países mais ricos, 90% do investimento em ensino fundamental e médio advêm do poder público.
Quanto ao ensino superior, em países como a Finlândia, Noruega e Coréia do Sul, 75% dos investimentos são privados. A prioridade do gasto público é dada, assim, à formação básica.
Na minha opinião, quanto melhor é a qualidade da formação básica dos alunos, mais valor darão ao ensino superior e aos cursos de pós-graduação, o que os torna menos vulneráveis ao desemprego causado pelas crises econômicas.
Para encerrar esse tema levanto mais uma polemica, qual seja da grade escolar fundamental, porque entre os países mais desenvolvidos, o ensino de: redação, literatura, matemática e ciências representa quase 50% do tempo de instrução obrigatória, para os alunos com idade entre 9 e 11 anos, e 40%, para os estudantes na faixa etária entre 12 e 14 anos. Nos demais países, o tempo gasto com essas atividades básicas varia de 16% a 30%, bem inferior, portanto. Fica óbvio que isso faz a diferença no aproveitamento e no preparo dos estudantes. Para mim esse também é um dos fatores que os levam, quando adultos, a continuar estudando durante toda sua vida profissional.
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