quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Fala, PADRE !


‘Esse carro, quem me deu foi Deus (ou Jesus)’. (frase vista num adesivo plástico colado no vidro de um automóvel modelo ‘Captiva’ da GM, zero quilômetro, em Vila Velha, mas bastante comum no Brasil de hoje).

Não, não está correto. E é diferente de adesivos do tipo: ‘amo minha mulher’, ‘amo minha família’ ou ‘todos contra a pedofilia’. Deus (e Jesus, seu filho; e o Espírito Santo), os três: Uno e Trino, não me deram casa, carro, roupas, computador e celular, do jeito que são. Graças a Eles eu tenho saúde, inteligência e disposição para o trabalho. Graças a Eles tenho discernimento para não ter escolhido o caminho do mal, que é sempre mais fácil, mas também muito mais arriscado.
Investir na Bolsa é arriscado? Sim. Em imóveis é seguro? Sim. Risco e Segurança são antônimos. Para correr riscos você deve medir as conseqüências. Quanto maior o risco melhor a rentabilidade ou lucro (às vezes a liquidez), mas você pode perder tudo. Por esta razão os economistas sugerem uma ‘cesta’, de investimentos, equilibrada.
Assim é a vida. Temos várias opções. As mais rentáveis são as mais arriscadas. Os negócios mais ‘lucrativos’ são assim os tráficos de: drogas, armas, seres humanos ou animais. A perda maior? Liberdade ou a própria vida nesta dimensão ou na outra.
Trabalhar é menos arriscado e menos rentável que o caminho do desvio. Porém, muito, mas muito mais seguro. Você precisa, às vezes, de uma vida inteira para, lá no fim, dela tirar proveito e ter mais tranqüilidade econômica. Suor, estudos contínuos (e sempre estudando), ‘engolir sapos’, ter paciência com a maldade ou injustiça humana no trabalho são atributos necessários para se atingir um objetivo de vida, com qualidade.
A decisão na nossa vida é diária. O trade off é permanente. As opções são muitas. Com o dinheiro obtido da relação Capital x Trabalho, nós podemos escolher o que comprar e o que possuir ou investir.
Um homem não necessita mais de três camisas. Uma lavando, a segunda ‘passando’ e a terceira em uso. Dois tipos de sapatos, um social (um preto e outro marrom) e outro ‘casual’: tênis. Mais que isso é luxo, luxúria.
Um casal pode adquirir um veiculo automotor de duas ou quatro rodas. Uma motocicleta ou automóvel, populares quaisquer, de qualquer marca ou tipo; usados (não zero quilômetros) são suficientes para locomoção. Mais que isso é luxo ou luxuria.
Colocar um adesivo em um automóvel do tipo ‘station wagon’ ou 4x4; de que ‘Deus me deu de presente’ não é verdade. É luxo. É vaidade.
Ter roupas além do necessário, de marcas nacionais ou importadas, de grifes, não é presente de Deus, é luxo ou vaidade. Eu assumo esse ‘pecado’. Quem atira a primeira pedra?
Os ‘marqueteiros’ de plantão adoram essas frases (referencia a trabalhos de Pavlov e de Skinner- behavorismo): “eu preciso muito desse carro” ou “dessa roupa”. As crianças de hoje em dia crescem afirmando que precisam ‘muito’ daquele brinquedo, daquela pasta rosa ou daquela Barbie.
Santo (do latim “sanctus”) é uma palavra muito utilizada e que, na essência etimológica, significa ‘separado’ ou seja, eles são diferentes dos demais. A palavra ‘santo’, no hebraico, tem por sentido o ato de ‘cortar’, em grego ‘separar-separado’, ‘diferenciar- diferenciado’. Em resumo: "SEPARADO DO MUNDO PARA DEUS".
Os santos da Igreja Católica nada mais foram que seres humanos diferenciados porque escolheram viver com humildade, na pobreza e se doando aos outros seres humanos. Eles (e elas) optaram por caminho diferente de nós. Hoje pela evolução da palavra já significa: canonizado, sagrado, inviolável, virtuoso, digno de veneração e que vive conforme os preceitos da lei divina, segundo a tradição judaico-cristã.
Religiosos antigos se entregavam mais que hoje em dia, sem remuneração. Só pela casa, comida e roupa lavada.
Não havia esse apelo midiático (de todas as denominações). Gravações de CD. Shows de música. Receitas auferidas bem superiores do que o necessário para a pura sobrevivência. Não é do escopo desse artigo, mas para onde iria tanto dinheiro? Criam-se ONG, instituições e fundações para contabilizar essa dinheirama. Mas não sou eu quem vai julgar. Ele o fará.
O contexto bíblico indica que a pessoa que crê em Deus (e Jesus), deve levar uma vida separada, diferenciada do atual modelo de vida ou da cultura vigente. Sua vida deve mostrar diferença quanto aos costumes desta sociedade secularista (que vive na prática voluntária de pecados) e adotar os mesmos procedimentos que Cristo.
Então, quando se intitula alguém como santo, infere-se que essa pessoa é separada do costume da maioria da população. Uma pessoa que evita o ambiente ‘do mundo’, evita utilizar palavrões, evita brigas e discussões, evita excessos ou luxúria, ou seja, busca se comportar como a mensagem de Deus prega, e, portanto chamado santo, ou separado.
Uma pessoa sem vaidades sejam elas materiais ou intelectuais. Uma pessoa que reconhece que não é melhor que ninguém. Santo.
Considera-se uma pessoa como ‘separado’ por que diverge do comportamento da maioria das pessoas que praticam uma ou outra conduta imoral sem se preocupar se agrada a Deus ou não. Fora destes atributos não se pode denominar de santo.
Habacuque, Oséias e outros profetas não precisaram muito para deixar seus nomes marcados na Bíblia e na vida dos crentes (todos os que acreditam que há um Deus ou Alá). Jesus foi seguido por 12 apóstolos (os ‘enviados’), mais de setenta discípulos (eu costumo fazer a diferenciação de quem era mais próximo dos mais distantes: "Ele chamou para si os seus discípulos, e deles escolheu doze, a quem ele chamou de apóstolos" (Lucas, 6:13-16)) e uma multidão de homens, mulheres e crianças. Após a ressurreição e a ascensão de Jesus, Ele enviou os discípulos ao mundo (Mateus, 28:18-20) para que fossem Suas testemunhas. Eles então passaram a ser conhecidos como os doze apóstolos. Os doze apóstolos originais estão listados em Mateus, 10:2-4. Ressalte-se a diferença entre apóstolo e discípulo:
- Apóstolo: palavra derivada do grego que significa enviado. Jesus escolheu doze apóstolos e os enviou para diversos lugares para pregarem a chegada da "Boa Nova".
- Discípulo: palavra derivada do latim que significa aluno. Jesus tinha em uma época de sua vida 70 discípulos, além dos doze apóstolos para ajudá-lo.
O meu ponto de vista é de que Jesus não ‘passou’ nenhuma procuração para ser apóstolo além dos doze. Para ‘ser enviado’ por Deus precisa ter validade (não precisa ser em cartório), mas a própria pessoa não pode e nem deve se intitular apóstolo.
Para os dias de hoje me agrada mais o termo missionário (quem tem uma missão a cumprir), pastor (que orienta) ou padre (no sentido de pregador); e os irmãos é que o(a) devem reconhecer como tal. Penso ser mais honesto.
Como alimentar tanta gente? Não seria com faustos jantares. Provavelmente seria com alimentação, veste e local para descansar, simples e humildes. Sem ternos e vestidos caros e sem quaisquer complementos ou acessórios (jóias).
Santo Agostinho (354-430) viveu num monastério. São Francisco de Assis presenteava aos pobres seus vestidos, outras vezes, com o dinheiro que levava. Todos santos. Separados. Diferentes. (independente se tem milagres ou não associados, porque não é objeto desse artigo). Da mesma forma Padre Cícero, Ghandi e Madre Tereza de Calcutá. São só alguns exemplos.
Salomão, depois de ter riqueza sem fim e construir um império, ao fim da vida chegou à conclusão que luxo não levava a nada. Somente pó.
Para concluir, eu não sou perfeito (e muito menos santo) e assumo a minha imperfeição e por isso não prego, no meu veículo, adesivos semelhantes. Gosto de conforto em casa, boa alimentação, roupa boa e carro confortável. Mas, não sou hipócrita para afirmar que Deus me deu isso tudo, do jeito que são. Ele me deu a vida e como sou. É uma opção minha de vida, e pelo esforço que fiz e faço, para ter a vida que considero justa para mim. Portanto me considero ‘homem do mundo’, pecador e não santo. Mas admiro quem aja como santo (que cada vez mais são poucos).
O título deste artigo (com letras maiúsculas) faz uma alusão a Ele o Pai de todos e somente Ele julgará. Da minha parte acredito que no Livro da Vida (a Bíblia cita outros, mas penso ser esse o mais importante), Ele pesará se esses pequenos pecados foram compensados pelas atitudes boas que eu fiz ao longo da minha existência (e espero sinceramente que sim, claro).

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