sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Consultoria de Negócios – o que é



A Consultoria de Negócios foi, por longo tempo, vilipendiada pelos sócios-gerentes e CEO das organizações, em virtude dos exemplos que se tinha de grandes empresas (Consultoras) tentando ‘empurrar’ teorias pela ‘goela’ abaixo das organizações. Ao longo das últimas décadas as organizações perceberam que cuidar primordialmente das suas ‘Core Competences’ pode acarretar ganhos substanciais, deixando para empresas terceirizadas e para as Consultorias a tarefa de pensar nas demais competências.
O Consultor é um profissional especializado, com visão estratégica, com conhecimento de administração de negócios, mercado e financeiro. Além disso, é independente e imparcial, não tem nenhum compromisso ou vínculo com quaisquer instituições e pode desta forma buscar as melhores soluções empresariais disponíveis no mercado.
A consultoria se considera antes de tudo como um método para melhorar as práticas de gestão e sem dúvida também se considera, a ela mesma, como una profissão. A consultoria como método e a consultoria como profissão constituem as duas caras de uma mesma moeda.
O trabalho de uma consultoria começa com o diagnóstico empresarial. A identificação das dificuldades, problemas e possibilidades de crescimento, enfrentadas pela organização, bem como dos objetivos que ela deseja alcançar, e estes são os principais motivos para se contratar um consultor. É com base neste diagnóstico que os consultores analisam quais as alternativas viáveis para então apresentar a proposta de prestação de serviço.
O consultor não é um auditor, nem é alguém que veio para fazer um controle da organização, é sim um colaborador, um ‘experto’ que pode pensar por fora da organização. Seu papel é de ajudar a direção (sócios) e a organização, em geral, a identificar suas forças, fraquezas, oportunidades e ameaças; e desenvolver suas próprias capacidades e competências para resolvê-los.
Essas soluções podem ser as mais diversas, dependendo da necessidade do cliente, tais como:

  • Estabelecimento de uma Estratégia seja ela de sobrevivência ou de crescimento
  • Revisão dos processos internos para melhorar a produtividade,
  • Auxiliar na administração financeira – orçamentária, contas a pagar e a receber, administração do capital de giro, visualizar possibilidades de hedge e várias outras,
  • Reduzir custos, Terceirizar (outsourcing) ou efetivar parcerias,
  • Estudar o mercado e identificar oportunidades de atuação.

Existem três tipos de contratos de consultoria:

1. Confidencial (acesso a todos os dados) / Total (acesso a todas as instalações e pessoas),
2. Confidencial/Parcial e
3. Aberto/parcial.

Eu particularmente prefiro os dois primeiros.

Existem dois tipos de consultor:

1.      Consultor Colaborador. A ação do Consultor atual e o enfoque que geralmente se utiliza têm como finalidade apoiar intensa e temporalmente as organizações a realizar os projetos que não executarem por si só, de tal forma que seus diretores e trabalhadores adquiram conhecimentos e habilidades que o convertam em um verdadeiro consultor interno, agente endógeno de câmbio (mudança) em um processo de melhora contínua dos processos e de seus resultados. A esta modalidade nova se tem denominado consultoria colaborativa (ou participativa).

A Consultoria Colaborativa deve tender a fixar as mudanças dentro das soluções propostas, porque deve lograr que surjam da própria organização, por convencimento próprio, sobre a necessidade, benefícios e do valor de tais mudanças. Esta é a sua essência.  É criar a capacidade de mudança autônoma que demanda toda a organização que pretenda melhorar seus processos e os resultados de forma contínua ou até de criar o futuro. Principalmente na área Estratégica a finalidade do Consultor – com seu ‘expertise’ e a sua visão de fora – é estabelecer Estratégia(s) que esteja(m) aderente(s) à visão do(s) sócio-gerente(s) (em especial micro e PME).

 2.      Consultor Exclusivo de Processos. A consultoria de processos é definida por Edgar Schein: “como um conjunto de atividades de parte do consultor que ajudam o cliente a perceber, entender e atuar sobre os processos que ocorrem no meio ambiente do cliente.” A função central é a de promover câmbios significativos na organização.

Sobre Confidencialidade:

Todo membro da organização em processo de consultoria tem que se sentir com absoluta confiança com o Consultor, para dizer-lhe algo, tudo o que pensa sobre algo ou sobre alguém, sem temor de que isto vá a ser conhecido por alguma outra pessoa da organização e que vá a prejudicar-lo.
A confidencialidade e a discrição absoluta, dentro e fora da organização, é um princípio de alto valor ético em um processo de consultoria.
Com a independência de quem haja solicitado os serviços de consultoria, o chefe supremo, sócio-gerente ou CEO da organização; a informação que se obtenha da consultoria e a apresentação dos resultados desta, não as exporá o consultor, somente ao chefe supremo dela. A consultoria não pertence ao consultor senão a entidade objeto da consultoria.
Conseqüentemente com isto, qualquer informação sobre a consultoria que seja solicitada por um ‘nível superior’ da organização, que não o CEO ou sócio-gerente e cuja consultoria esteja em andamento; será previamente discutida com o chefe da entidade e deverá ser este e somente este quem receberá as informações. Ele as repassará se interessar ou for conveniente, mas a decisão é interna à organização.

Exigências de um consultor:


A independência financeira: significa que o consultor não obtém nenhum benefício da medida adotada pelo cliente, por exemplo, a decisão de comprar una determinada marca de equipamento. O desejo de obter no futuro outros contratos com o mesmo cliente não deve influir na objetividade do assessoramento prestado na tarefa presente.
 
A independência administrativa: implica que o consultor não é um subordinado do cliente e não se vê afetado por suas decisões administrativas. Embora isto não seja nenhum problema às organizações de consultoria autônomas, é sim um problema, às vezes, bastante complexo, embora não insuperável, na consultoria interna.

A independência política: significa que nem os diretores nem os empregados da organização cliente podem influir no consultor oficiosamente, recorrendo a autoridades ou conexões políticas, se pertencerem a algum partido político ou a outras influencias semelhantes.

A independência emocional: significa que o consultor mantém sua distancia emocional, independentemente da amizade e outras afinidades de tipo emotivo que possam existir no começo ou que surjam durante a realização do papel de consultor.

Os aspectos éticos do Consultor:

A informação que obtenha um consultor, num trabalho de consultoria, não poderá por este ser utilizada e nem divulgada e muito menos comentada sem a prévia autorização do dirigente máximo da organização.
A informação que obtenha o consultor em entrevistas pessoais, ou em conversações, que sustente com o pessoal da organização não será transmitida a direção da própria organização, se o consultor não considera necessário ou conveniente.
É mister reconhecer que no exercício da consultoria, o consultor deve observar uma determinada ética. Entre as normas de conduta que devem conformar a ética do consultor temos:

  1. Modéstia. 
  2. Demonstrar sua competência sem se valer de ardis para impressionar. 
  3. Trabalhar com organização e disciplina. 
  4.  Não utilizar mais tempo que o requerido para investigação e solução do problema. 
  5. Confidencialidade. 
  6. Capacidade e paciência para escutar os argumentos do pessoal da organização ‘consultante’. 
  7.  Ensinar a trabalhar sem consultar.
  8. Evitar o enfrentamento com o pessoal da empresa, ou entre esta e os organismos territoriais e superiores, porém melhor, atuar como mediador nos conflitos.
  9. Utilizar o convencimento e não a imposição para que se aceitem seus critérios.
  10. Evitar a responsabilidade das decisões. O consultor deve ser um ativo promotor do câmbio, porém a responsabilidade final pela realização do câmbio é do cliente.
  11.  As soluções brindadas pelo o consultor devem ter uma incidência positiva em nível da economia nacional e não somente no cliente e devem tomar em consideração os efeitos sociais e ambientais que delas se derivam.
  12. Espírito de sacrifício e consagração ao trabalho.
  13. Ser um baluarte do cumprimento das leis estabelecidas e não estabelecer recomendação alguma que implique efeitos adversos para o cliente, para a sociedade ou para terceiros.
  14. Ser honesto no mais amplo sentido da palavra.
  15. Trabalhar sempre com o espírito de GANHAR / GANHAR

A prática tem demonstrado que a transgressão de alguma das normas de conduta que devem conformar a ética do consultor atrasa o processo de mudanças que se tinha pretendido promover e inclusive podem trazer outras implicações que afetam a imagem do cliente, do consultor e ademais de outros efeitos, inclusive de implicações jurídicas.

Artigo produzido pelo prof. Nelson Marques em fev 2011.
Marques Consultor
Mestre em Administração Empresarial
MBA em Finanças Corporativas
Pós Graduado em Administração
Engenheiro Eletrônico - Telecomunicações

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