terça-feira, 16 de novembro de 2010

Ambiente, intuição e conhecimento.

Ambiente, intuição e conhecimento.
Um mergulho no livro de Malcolm Gladwell – OUTLIERS
(tradução literal (fonte Babylon): pessoa que situa fora de; pessoa que mora longe do local de trabalho; seção de uma rocha separada de sua formação original por erosão).(tradução livre: fora de série, gênio ou não que não se inclui no contexto, costumo usa: fora da curva de Gauss, ‘anormal’, fora da normalidade).
A premissa do autor é que o êxito individual depende do talento, dedicação e sorte, sem dúvida, mas também de uma série de outros fatores para os quais nunca se deu a atenção devida. Tenta falar das razões desconhecidas do sucesso.
O autor tenta especular sobre o histórico de desastres aéreos para demonstrar que, dependendo do país de origem da tripulação, os passageiros correm sérios perigos. Semelhantemente a presidentes e primeiros-ministros que conduzem seus países e desastres econômicos e até guerras desnecessárias.
O argumento do autor se apóia no fato de que determinadas culturas alimentam um respeito excessivo por cadeias de comando e que, por isso, o comandante do avião jamais seria questionado por seus subordinados, mesmo que estivesse fazendo a ‘cagada’ da década ou do século (como Hitler).
A relevância disso, no contexto de um fora-de-série, diz respeito na medida em que uma cultura favorece a exposição de novas idéias, quando do questionamento das antigas. Ou de que forma a autoridade pode aniquilar a inovação, não por censurá-la, mas por inibi-la, intimidá-la.
A notícia que nos preocupa (em especial brasileiros), é que há uma mórbida coincidência entre o ranking dos países onde se dá maior importância à hierarquia e os que formam os pilotos que mais se envolvem em acidentes. Mais uma vez ‘um’ ranking (não sei exatamente como foi medido) desfavorece o Brasil, aparecendo nas primeiras posições em ambas.
Não penso como alguns pensam que o nosso passado de uma colônia hospedeira tenha construído um frágil caráter de um povo subserviente. Esquecem, os que assim falam, que a colonização já decorreu séculos atrás (como descendente de português penso que esse refrão não pode ser mais usado). Esquecem que, mais recentemente, o país foi massacrado por ditaduras longas nas décadas de 30 e 40 (pesquisem o uso de sapatos, pois muitos usavam tamancos, pela população brasileira) e depois mais recentemente nas décadas de 60 e 70 (ambas violentas e esmagadoras).
Procurem sobre a liberdade de expressão no Brasil desde 1920 até hoje. Diferentemente dos EUA no Brasil não há liberdade total de expressão (até hoje). Vejam as dificuldades dos cartunistas e humoristas brasileiros.
Essa subserviência pode decorrer sim do que se transmite fortemente por algumas mídias e por aqueles que ainda hoje lutam contra a educação (embora não citem abertamente seus desejos) formando assim um ‘complexo de vira-latas’. Quanto mais se fala isso parece que esse mote se torna verdade. Para mim inverdade. Está aí o futebol, o vôlei, os pilotos de F1, os ‘Tom Jobim’, ‘Santos Dumont’ e demais gênios brasileiros.
Talvez a educação, ainda carente no Brasil, possa extirpar esse ‘complexo’. A main stream, ou seja, a corrente dominante dos que detiveram e ainda detém o poder, querem nos fazer crer nesse destino determinístico. Um povo que se educa e evolui na literatura, na instrução e no conhecimento, jamais abaixa a cabeça ante uma autoridade inepta ou incompetente; e não executa ordens cegamente.
Ele (ou autor) argumenta, ainda, que uma maior profusão de oportunidades para todos poderia produzir mais gênios em série.
Em minha opinião não há necessidade de produzirmos novos gênios. Basta produzirmos pessoas educadas, instruídas e evoluídas socialmente. A inovação ocorrerá mesmo assim. As grandes idéias como o post it (3M) são fáceis, não necessitando ser gênio, o óbvio está diante de nós é só ‘deixar fluir’...
Na minha corrente de pensamento (que não é a main stream ...mais post modernismo)  jamais haverá outro Einstein, outro Mozart, outro Pelé, outro Senna, etc; e nem gênios que sejam sequer próximos dos que existiram. O mundo não conviveria com muitos gênios ao mesmo tempo. Há que haver, na minha modesta experiência, os ‘carregadores de piano’ (na qual me incluo).
Não existirão outros ‘Bill Gates’ ou outros ‘Steve Jacobs’. Só um pode ser o CEO ou CIO. E aí os demais seriamos os fracassados? Claro que não ! O sucesso não é medido pelo alcance da conta bancária ou da fama ou da ‘celebrização’ (tão em moda hoje em dia ... a tentativa de se tornar celebridade, nem que por quinze segundos). Para o surgimento de empresas como Microsoft e Apple, além de inovação, ocorreu concomitantemente, muita transpiração. O próprio Gladwell menciona estudos que mostram que: a diferença entre os violinistas e pianistas excepcionais e os simplesmente ótimos, é o tempo de treino. Então qual seria a genialidade ou o traço comum da genialidade? As tais 10000 horas de prática ? O ‘mão-santa’ brasileiro Oscar sempre rebate que de mão santa não tem nada, tem sim de horas e horas de treinamento (A Hortensia compactua com a tese, ou seja mais de 1000 arremessos/dia).
Somente umas poucas pessoas podem se destacar independente do quão exigente sejam os padrões. Se todos se destacam, não há destaque. O clube de Roma há muito tempo citava: ‘se todos se levantam para ver o filme ou jogo no campo de futebol, poucos irão conseguir ver o filme ou o jogo’. Não há estradas e praias suficientes para todos utilizarem – ao mesmo tempo, esses são os limites sociais do crescimento.
A palavra diferencial que todos procuram não passa de falácia. Diferencial para melhor ou pior. Que diferencial é esse que tantos citam? Valores podem ser positivos ou negativos. Bandidos também possuem valores e se diferenciam. Mais que diferencial nós devemos ? Procurar quem nós realmente somos. E se eu for igual a todos, dentro da curva de Gauss, uma pessoa normal, devo me suprimir, me isolar em ilha do pacífico?
Para o autor o mundo é que seria outro, com parâmetros muito diferentes dos atuais. Só que essa seria a nossa realidade, mas que realidade se as culturas se diferenciam. Para as muçulmanas se esconder é seguir a cultura, para as ocidentais levantar a saia é diferenciar ou ser igual às outras?
Podemos sim nos habituar a um novo patamar de exigência, nos tornaríamos íntimos de desempenhos (performances) superiores, que hoje nos pareceriam assombrosos, em educação, cultura e conhecimento. Os célebres seriam os mais cultos, educados, polidos, civilizados e que aceitam as diferenças (incentivando a inovação).

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