Este artigo é escrito para quem tem menos de 40 anos em março de 2011, para que saibam o que é ser um líder, seja político ou empresarial, porque provavelmente nestes últimos tempos talvez não tenhamos visto muitos líderes de verdade. Para quem está acima de 40 anos serve para lembrar o que é ser líder de verdade.
Neste primeiro capítulo mostraremos o que é NÃO ser líder de verdade. Líderes de Araque. Num segundo capítulo, a ser divulgado no blog da saidemartins.com, mostrarei o que é ser Líder de Verdade.
A forma que adotei para esclarecer sobre as lideranças de araque foi através das notícias atuais em forma de matérias e livros. Seguem-se as notícias.
Primeira Notícia: A CNN americana citou o BR apenas uma vez esta semana. Para falar das pessoas que foram eletrocutadas em diversão com ‘Trio Elétrico’, sem trocadilhos, porque o assunto é sério. O Prefeito de Bandeira do Sul pretende acionar a empresa de energia elétrica, CEMIG, pelos danos físicos (porque o circuito deveria detectar o curto). Curto é o pensamento desse prefeito. Após acidente a cidade vizinha Poços de Caldas proíbe a serpentina metálica. ‘Tira o tubo!’ [Viva o Gordo – Jô Soares].
Esse é o tipo de ‘liderança’ que se apresenta no campo político brasileiro de hoje, culpa os outros pela sua própria falha de permitir esse tipo de festividade. Saudades de: Rui Barbosa, Afonso Arinos (o senador da lei contra racismo) e Nelson Carneiro (o senador do divórcio); e de Carlos Lacerda e Negrão de Lima (os dois últimos construíram um novo Rio de Janeiro, nas décadas de 60 e 70). Procurem saber sobre essas obras.
O conjunto de rock, Deep Purple, tem uma música excelente: ‘Smoke on the Water’, onde um ‘stupid guy with a flare gun’ botou fogo num hotel. É similar, um idiota, com serpentina metálica, joga-as em cima da rede elétrica e causa a desgraça. E o prefeito quer acionar a empresa de energia. Tolo, não?
Primeiro: se ele fosse um líder mesmo teria construído canalização subterrânea para a passagem de cabos elétricos e de telecomunicações.
Segundo: se ele fosse líder mesmo teria gasto o dinheiro público, o nosso, em educação e até em construção de áreas específicas para entretenimento como: cinemas, teatros, anfiteatros ou até ‘sambódromos’ para trios elétricos. Poderia copiar os Romanos, que muito antes construíram, para ‘o circo do povo’, ou seja, para atravancar os olhos da turba ignara, o Coliseo (ou Coliseum).
Terceiro: quem vai pagar pelos danos físicos? A prefeitura ou o idiota que jogou as serpentinas? A propósito quem vendeu as serpentinas, o fez, emitindo NF? Elas não são aprovadas pelo IPEM e Inmetro, MG. Mas são comercializadas, retrato do Brasil paralelo. Antes de acionar a CEMIG deveria fiscalizar as empresas que vendem fogos de artifício e que vendem sem NF. Pergunto: O trio elétrico recebeu o cachê? De que forma: NF ou recibo? Como contabilizar no orçamento da prefeitura?
A Segunda Notícia se refere a uma empresa de telefonia celular que teve sua rede ‘apagada’ na última terça (01 de março de 2011, se fosse 01 de abril até seria engraçado) na Grande Vitória.
Em 1972 quando eu era estagiário de engenharia (me graduei em 1973), comecei a implantar uma rede de transmissão via PCM (NEC), inovadora à época. O projeto, como em toda a rede de transmissão contava (como deve ser até hoje) com outra rede, em forma de hot stand-by, ‘apoio quente’, ou seja, outra linha permanentemente ativada para fazer o switch (chaveamento) quando a principal tiver problemas, mesmo que não totalmente ‘apagada’ mas se a taxa de erro assumisse patamar acima do previsto.
A Terceira Notícia é sobre os apagões no suprimento de energia no Nordeste e Sudeste que tem sido cada vez mais freqüentes. De igual forma há que haver linha hot stand-by.
A Quarta Notícia é sobre as enchentes em São Paulo, que ocorrem diariamente. Que prefeitos criarão a SP do futuro? As grandes cidades estão fadadas a serem os piores lugares do mundo para se viver, se já não o são. Um novo Anchieta? Onde estão os verdadeiros bandeirantes?
A Revista ‘The Economist’ publicou as melhores cidades do mundo para se viver. As dez primeiras são: 1) Vancouver, Canadá, 2) Melbourne, Austrália, 3) Viena, Áustria, 4) Perth, Austrália, 5) Toronto, Canadá, 6) Adelaide, Austrália, 7) Sydney, Austrália, 8) Copenhague, Dinamarca, 9) Genebra, Suíça e 10) Zurique, Suíça. Todas elas com bastante espaço e poucos ‘arranha-céus’. As cinco primeiras cidades estão situadas no Canadá e Austrália. O que significa? Pessoas ocupando espaço por metro quadrado. O único lugar que as pessoas gostam de ‘se apertar’ é no bloco carnavalesco ou no trio elétrico. Contato físico tem distância para virar assédio sexual.
Nenhuma tem um edifício como os de Dubai. Os problemas ambientais em Dubai começam a parecer, porque a cidade, que foi rapidamente construída sobre a areia, não tem nenhum glamour. Vêem-se detritos na porção de Dubai do Golfo Pérsico. Dessalinizar água do mar para abastecer torneiras, propriedades irrigadas e fontes está aumentando a concentração de salinidade.
Há dificuldades em se obter fontes de energia para sustentar seu pomposo estilo de vida (mesmo o país sendo um produtor de petróleo). Se pensarmos em saneamento básico, como o tratamento de resíduos e fornecimento de água limpa, que somados aos inúmeros projetos industriais demandam tanta energia elétrica que a região está a caminho de um futuro nuclear (construção de usinas).
Segundo o novo livro do economista Edward Glaeser, a cidade é a maior invenção do homem: ela os faz mais ricos, inteligentes e felizes. Segundo ele, a vida é melhor na favela do que na área rural. Coitado, ele não conhece cidades como: Aracaju, Maceió, Natal, Florianópolis e Gramado, entre outras cidades pequenas lindas brasileiras. Ou o triângulo mineiro de Ubá, Uberlândia e Uberaba, zona rural. Ele pensa em rural, como no século em que Karl Marx escreveu O Capital – sem a revolução industrial, e não conhece as redes sociais e a vídeo-conferência, para reuniões, bate-papo e até para julgamentos.
Sou contrário ao pensamento de Glaeser de que o crescimento das cidades é inevitável. Ele diz que o crescimento das cidades é um sinal positivo. Não vejo em que. Ele cita tendenciosamente que as cidades menores não podem ter transporte urbano coletivo, e que o uso individual do automóvel é necessário. Não, senhor Glaeser, não há necessidade dos moradores das cidades pequenas serem ‘escravos’ do automóvel.
Ele cita que é melhor viver nas regiões mais pobres da cidade grande do que nas melhores áreas das cidades pequenas. Que pensamento pequeno! Ele adora prédios altos. Quer colocar ‘arranha-céus’ no centro de Paris! Cruz credo que horror de arquiteto ele seria.
Mais da metade da humanidade já é urbana, infelizmente.
Com a tecnologia que temos hoje, e nem pensando na futura geração de computadores e celulares 3G, posso afirmar categoricamente que as organizações devem se descentralizar.
Por que tantas reuniões com mais de dez ou quinze pessoas ao redor da mesa? Quem pode realmente resolver o problema tem que estar à mesa. Os demais assistem em vídeo conferencia (ou não assistem), por que não? Qual CEO seria o primeiro com visão descentralizadora? Qual CEO sugeriria abandonar o prédio luxuosíssimo da metrópole paulista ou carioca por um prédio simples horizontal em Vila Velha, Uberlândia, Campinas ou Londrina?
Qual CEO, dirigente ou executivo, abandonaria o carro da empresa para dirigir seu próprio automóvel para o trabalho, ou até ir de trem ou Metrô? Que líderes, políticos, dirigentes, executivos e CEO, temos hoje em dia? Apenas de curto prazo? Apenas bombeiros que ‘apagam’ incêndios? Com trocadilhos.
Um dos testes de liderança é a habilidade de reconhecer um problema antes que ele se torne uma emergência. (Arnold Glasgow)
Todas essas notícias são exemplos do que hoje temos de líderes. Líderes de ‘Araque’ (termo que se tornou forte na década de 50 no Brasil).
Assistindo TV não se obtêm cultura necessária para conhecer o mundo. Aliás, a TV não é bom exemplo.
A televisão pode dar-nos muita coisa, exceto tempo para pensar. [autor anônimo]
Para saber sobre LÍDERES DE VERDADE, leiam sobre Liderança de Verdade - Criação do Futuro, no meu artigo, dentro do site: saidemartins.com
Artigo escrito pelo prof. Nelson Marques
Consultor de Negócios
Mestre em Administração Empresarial
MBA em Finanças Corporativas
Pós Graduação em Administração de Empresas
Engenheiro Eletricista - Telecomunicações