Há riscos de o Brasil voltar a ter problemas com a inflação. A análise é do economista e ex-presidente do Banco Central (BC), Gustavo Loyola, que falou, ontem, para empresários cearenses, sobre cenários e perspectivas econômicas, durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, no auditório do Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas (Sebrae-CE), em Fortaleza. Ele acredita que o BC está “assumindo riscos grandes”, com as recentes reduções da taxa básica (Selic), e a sinalização de que pode reduzir ainda mais os juros.
Em entrevista ao O POVO, Gustavo Loyola afirma que a melhor atitude, nesse momento de crise internacional, seria uma política de juros neutra e cautela na redução dos juros. Ao contrário do que avalia o Governo, que acredita que a crise externa poderá ter efeito redutivo sobre a inflação no País, o ex-presidente do Banco Central não prevê um maior agravamento dos problemas lá fora, a ponto de interferirem na economia. Para ele, porém, apesar de um cenário internacional confuso, o Brasil está bem em sua economia e poderá ter crescimento razoável, na faixa dos 3,5%, nos próximos dois anos.
Mas para que o Brasil continue a crescer, Loyola acredita ser necessário retomar a agenda do custo Brasil, porque as empresas brasileiras ainda se defrontam com custos muito elevados para competir internacionalmente. “Infelizmente, eu não vejo o governo atuando de uma maneira mais sistemática para reduzir esses custos. O que a gente vê, aqui e acolá, são medidas isoladas, desonerações e estímulos parciais, que não resolvem e não atacam o problema como um todo”.
[http://www.opovo.com.br/app/opovo/economia/2011/10/18/noticiaeconomiajornal,2317501/ex-presidente-do-bc-alerta-para-volta-da-inflacao.shtml]. [grifos do blogueiro]
A inflação possui dois vetores que funcionam como ‘trigger’ dela mesma: quando a demanda é maior do que a oferta e quando ocorre excesso de moeda à disposição da população. No Brasil, no entanto, outro vetor ‘impulsiona’ o crescimento da inflação: o ‘efeito’ psicológico’, quando para se ‘precaver’ de inflações futuras se reajusta preços no presente.
O atual governo brasileiro vem sistematicamente ignorando os três. Desde as campanhas eleitorais passadas para presidência, o ex-presidente alavancou o consumo, sobre pretexto de não passar o Brasil pela mesma crise européia ou americana. A demanda já se mostra maior do que a oferta em vários itens. Não há excesso de moeda corrente, mas há excesso de crédito pessoal para compras de bens duráveis e não duráveis.
A inflação brasileira já bateu recordes de 2.477% /ano em 1993, pelo IPCA (473% em 1991), antes de o Plano Real ser implantado e caiu para 9% em 1999. Pelas previsões atuais bateremos o valor de quase 8% neste ano de 2011. Pode parecer pouco, mas foi assim que ELA começou até chegar aos patamares estratosféricos de 1993.
Dois dos pilares do Plano Real, em minha modéstia opinião, são: as taxas de juros (SELIC) e a determinação de manter em patamares os depósitos compulsórios (afetam o multiplicador monetário) de modo a desestimular o crescimento da base monetária, ou seja, da expansão da moeda circulante na mão da população. As vantagens do controle dos depósitos compulsórios são: 1) afeta todos os bancos de maneira igual, 2) tem um forte efeito sobre a oferta de moeda e 3) resulta num multiplicador monetário mais estável, ou seja, oferta de moeda mais controlável.
Por que considero o controle da base monetária importante para o controle da inflação? Porque penso que o brasileiro ainda não sabe poupar, investir ou adquirir bens duráveis e permanentes como imóveis (automóvel, para mim, é bem de consumo durável, mas muito transitório). Cito parentes e amigos em Portugal, que mantém seus veículos com mais de seis anos em uso, sem trocar por novos, porque “ainda funcionam perfeitamente”. O brasileiro quando vê que sobra ‘um pouco de dinheiro em suas mãos’ ele corre para os Shoppings e ‘tasca’ a gastar simplesmente em consumo ou mesmo ‘trocar’ de carro pelo modelo mais novo.
A inflação atual brasileira, assim como as previsões para 2011 e 2012, está entre as mais elevadas do planeta. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (28) pelo Banco Central, por meio da apresentação do diretor de Política Econômica da instituição, Carlos Hamilton Araujo, sobre o relatório de inflação do terceiro trimestre deste ano. Em 12 meses até agosto, quando a inflação brasileira atingiu a marca de 7,33%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ela foi superada, na amostra selecionada de países pelo BC para comparação, somente pela inflação da Índia (acima de 8%) e da Rússia (cerca de 8%). Os números mostram que a inflação brasileira, em 12 meses até agosto, ficou acima da inflação da China, em torno de 6%, dos Estados Unidos (pouco abaixo de 4%), além da África do Sul (pouco acima de 5%), do Reino Unido (entre 4% e 5%), da Nova Zelândia (entre 5% e 6%), e da Suécia, Noruega, Colômbia, México e Chile. Estes últimos países estão com inflação corrente todos abaixo de 4%.
[http://g1.globo.com/economia/noticia/2011/09/inflacao-brasileira-e-uma-das-mais-altas-do-mundo-mostra-bc.html]
Agora que o Banco Central não tem mais o comando de um profissional competente e com ‘background’ político e econômico no mundo como Henrique Meirelles, vemos este órgão ficar à mercê da política do Executivo, leia-se Ministério da Fazenda, que claramente numa posição demagógica cita a redução dos juros e a redução dos compulsórios como medida para conter inflação e meta de PIB. Certamente essas duas medidas exacerbarão a ‘metástase da inflação’ sem prometer crescimento palpável no PIB. O controle da taxa de juros SELIC é fundamental para aumento de crédito junto a empresas e consumidores. Baixar a taxa de juros significa mais crédito e mais dinheiro á disposição dos consumidores o q leva obviamente a mais demanda que sem a oferta gera inflação. Mais uma vez para conter inflação o melhor caminho é aumentar a oferta. Produzir mais. Reduzir os gargalos da burocracia brasileira. Alterar política fiscal para que o produtor possa gerar mais produtos.
Ainda mais, o que o Ministro da Fazenda deveria fazer seria conter os gastos públicos e reduzir o déficit público. Mas reduzir máquina estatal, leia-se conter gastos públicos (não investimentos), significa mexer com apadrinhados.
O ‘impostômetro’, em SP, registrou R$ 1,1 trilhão de impostos recolhidos nas diversas esferas até a presente data. Este é o encargo e a carga suportada pelos brasileiros para manter o custo Brasil, um inseto que a Revista Exame denomina de ‘burocrassaurus brasiliensis’.
A inflação corrói o salário do aposentado do INSS e de todos os outros que só recebem a correção da mesma (supondo-se que o salário mínimo continuará a ser corrigido bem acima da inflação). Não o salário dos políticos e magistrados que legislam em causa própria. Recentemente duas categorias a dos Correios e a dos bancários aceitaram reajustes muito próximos à inflação de 2011 (repito estará muito próxima ou ultrapassará os 8%). Em 2012 a inflação se o executivo continuar no mesmo ‘diapasão’ de nada fazer, estará em torno de 8 a 10% (já chegando aos dois dígitos, quem é mais velho se arrepia com o termo). Alguns analistas mais otimistas prevêem queda no ultimo trimestre, o que não é comum, no meu ponto de vista, devido às compras de Natal.
O trigger de demanda superior a oferta só é combatido com mais produção, ou seja, mais investimentos para produzir mais. E não é, no meu conceito, pela redução das taxas de juros e sim pela redução da carga fiscal e tributária (trabalhista inclusive) e pela redução do Custo Brasil, da ‘burrocracia’ (não, não escrevi errado). IRPJ e CSLL são itens fáceis de alterar: basta reduzir alíquotas, e são decisões federais sem necessidade de consultas ao legislativo ou de parecer dos governadores. IPI igualmente.
O empreendedor brasileiro certamente usará essa maior ‘margem de lucro’ para investir e produzir mais, aumentando a oferta.